O
projeto de lei sobre crimes cibernéticos, que tramita há 10 anos no Congresso
Nacional, deve ser 'sepultado' na próxima semana. A dificuldade para se chegar
a um acordo, aos poucos, vem eliminando artigos da proposta e, como resultado,
quase nada restou do substitutivo aprovado pelo Senado.
"Sobrou
alguma coisa que valha a pena apresentar em um projeto? Esse é o ponto que
vamos definir até a próxima semana. Não dá para saber se vamos colocar em
votação o projeto do senador Eduardo Azeredo", reconheceu o relator da
proposta na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, Julio Semeghini
(PSDB-SP).
Nesta
quarta-feira, 1º/07, uma longa reunião tentou reduzir as divergências em relação
ao texto e, de fato, ao fim de cinco horas, foram firmados alguns consensos. O
problema é que essa ação implicou na retirada de praticamente todos os
dispositivos previstos no PL 84/99.
Já
é certo que sairão do projeto os artigos que tratam da obrigação dos
provedores de denunciarem atividades suspeitas e a tipificação de crimes como
acesso indevido e a disseminação de código malicioso. Assim, o acordo caminha
para levar a um novo projeto de lei os crimes de invasão de redes, destruição
de dados, furto de informações (como senhas), etc. Também será modificada a
competência da Polícia Federal para investigar esses crimes.
"Só
não houve acordo na questão da guarda dos logs de acesso", disse o
deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que também participou, junto com Semeghini, da
reunião desta quarta-feira com representantes da Academia, associação de
provedores, Polícia Federal, Ministério da Justiça e Casa Civil, além da
Fundação Getúlio Vargas. Essa única pendência, porém, se deve à disposição
de Semeghini em retirar os pontos mais polêmicos da proposta, de forma a
viabilizar uma lei que seja aprovada pelos parlamentares.
No
caso dos logs de acesso - que, na verdade, são melhor explicados como o
controle do IP, de forma a ficar registrado quem acessou o que e a que horas - a
atual divergência está em tratar o assunto numa legislação criminal, como
está, agora,em discussão, ou levar o tema para uma lei civil. "Vamos
aproveitar o que é consensual numa nova legislação. E a questão da guarda de
logs deve receber um tratamento civil e não penal", emenda Teixeira.
O
relator Júlio Semeghini ainda gostaria de ver uma legislação que garantisse
alguma forma de identificação de criminosos que se valem da internet para
praticar delitos. O parlamentar entende que a guarda dos logs de acesso é um
dado importante para evitar que os cibercriminosos fiquem impunes. O difícil,
no entanto, é chegar a um texto com suficiente apoio para, efetivamente, vir a
ser aprovado, uma vez que o governo se mostra temeroso sobre esse ponto. Tanto
que até o presidente Lula voltou, na semana passada, a disparar contra o
projeto.
Assim,
depois de uma longa tramitação nas duas Casas legislativas, o polêmico
projeto, especialmente a partir do substitutivo apresentado pelo senador Eduardo
Azeredo (PSDB-MG)- deve ser descartado. Afinal um dos acertos é a elaboração
de um novo projeto, previsto para ser apresentado em agosto, depois do recesso
parlamentar. Resta, somente, encontrar, agora, uma solução para um embaraço
político: Convencer Azeredo a desistir do projeto, que definha na Câmara.
Fonte:
Convergência Digital